9. EXP. 1 Objectos que sobrevivem ao tempo

Esta é uma série fotográfica que iniciei em Agosto e que estará inacabada enquanto durar o processo de Ateia. Habituada a estabelecer relações entre o corpo e objectos, em contexto de performance, esta experiência resulta numa nova perspectiva desta mesma relação que se manifesta, agora, de uma outra forma. Alguns dos objectos evocam movimentos. Eu apenas observo e disparo. Enquadro o seu lugar no mundo; não os levo comigo para cena. Não há nada de violento em fotografar objectos; não reagem de forma inesperada, ainda que às vezes revelem surpresas. E têm todo o tempo do mundo.

Objectos que sobrevivem ao tempo parte da observação de objectos que perduram e que, como consequência desse acto de resistência, apresentam vestígios, mais ou menos visíveis, que denunciam a passagem do tempo. No seu porte há algo de dignidade, qualidade intrinsecamente humana que vem de dentro e não é concedida nem retirada por ninguém. A verticalidade, presente nestas imagens, está, de alguma forma, associada à dignidade e ao tempo, que insiste em vergar os corpos até que estes cedam à gravidade. Além da dignidade inerente aos objectos, está também a dignidade da sua função ou utilidade nos nossos dias. Descontextualização, dessaturação e minimalismo como principais compositores desta ode aos objetos que propõe uma mudança de foco do humano para outros corpos que habitam o nosso imaginário colectivo, de forma a serem notados e cuidadosamente observados.