Erm

Lugar deserto. Longínquo. Inabitado. Onde o nada floresce e a vida se encontra, solitária. Trespassados e engolidos pela brutalidade de uma sociedade que não pára de crescer, escasseiam lugares ermos. Escasseia espaço. Escasseia tempo. Erm fala do desastre humano e de como nos posicionamos perante este, numa tentaBva de encontrar um equilíbrio. Fala da responsabilidade para com o meio que nos rodeia, para com as gerações presentes e futuras e do que queremos cuidar e não destruir. Fala no feminino. Erm é ancestral e atemporal.

Erms (do catalão) são terrenos que foram explorados até ficaram sem nada, estéreis desertos. Erms são também campos que estão longe da civilização, onde a vida se gera, espontânea, independente da vontade humana.
O ponto de partida para a criação deste projeto surgiu durante a visualização do documentário O Sal da Terra de Wim Wenders e Juliano Ribeiro, sobre o fotógrafo SebasBão Salgado. Impressionou-me a quantidade de desastre humano que um indivíduo pode chegar a testemunhar e a reação de esvaziamento do seu corpo, como consequência. Inspirou-me a decisão de dois indivíduos de inverter um desastre provocado Homem. Surpreendeu-me a relativa rapidez com que se pode reconstruir todo um ecossistema. Enterneceu-me o processo interior que pode acontecer no indivíduo à medida que cuida e observa o vibrante crescendo de vida que acontece ao seu redor.

Alguns dos eshmulos externos que influenciaram o rumo do projeto, para além da vida e obra de Sebastião Salgado, foram No Logo de Naomi Klein, a obra de Ferdinand Hodler, Invocação ao Meu Corpo de Vergílio Ferreira e Haneen de Raja Banout. Estes foram alguns dos objetos de estudo realizado a par da pesquisa de movimento.
E no entanto, na humildade do desastre, uma flor nova irrompe — nova. Como a primeira flor ao vento sobre a face da Terra. Porque nós estamos vivos e toda a grandeza assim se nos mantém. Estamos vivos, sabemo-lo. O facho de luz que de nós se projecta, a nós regressa e ilumina — ilumina o que não desejamos destruir. Vergílio Ferreira
I told woman we should sing. And they said ‘You are crazy, we are at war’. And I said that is exactly why we should sing. Raja Banout
Nothing but death and asphalt for miles. Naomi Klein
Tocando aquela terra, pensei: ela também está em mim. Nós dois somos parte do mesmo planeta. Vivemos a mesma história. Sebastião Salgado

Erm. Um olhar ao desastre humano e um corpo que se expande em busca de equilíbrio.

Criação e interpretação: Teresa Santos
Música original e interpretação: Jordina Millà
Olhar externo e operação: Dídac Gilabert
Desenho de Luz: Dídac Gilabert e Teresa Santos
Fotografia: Nuno Leites
Coprodução: matéria / Ventos e Tempestades
Apoio: vintiset.net
Estreia: FIS · Festival Internacional de Solos 2016
Duração: 40 minutos
Faixa etária: >12 anos