Uma mulher lava roupa quando chego. O sabão e a escova que utiliza não são seus, pertencem a uma vizinha que os deixa ali para a próxima vez e que, entretanto, permite que qualquer pessoa os use, caso precise. Há um sentido prático de partilha, silencioso e funcional.
Descubro este lavadouro quando me dirigia a outro, cuja direcção já tinha apontada. Pergunto-lhe se Fornelo tem mais dois e responde que sim, confirmando que existem outros, mas acrescenta que este é o maior. O espaço está limpo e cuidado, com sinais claros de manutenção e uso continuado.
Não quer ser fotografada, mas quer saber se as imagens vão ser “postas para toda a gente ver”. Digo-lhe que, para já, ficarão num site, ao que responde prontamente que não tem acesso à Internet.
Pergunto-lhe se sabe o ano de construção. Aproxima-se e mostra-me a inscrição gravada na pedra, já quase imperceptível pelo desgaste do tempo: 1953. A pintura data de 1999, é possível que tenha sido restaurado nessa altura.









