Encontro o lavadouro no final da Rua do Covelo, junto ao rio Onda. O som da cascata impõe-se, incessante, ampliado pelas tempestades recentes. É o primeiro dia de calor do Inverno, e o sol tem uma luz forte e branca. Centenas de braços abraçam o lavadouro submerso, desenhando sombras. Insetos ocupam o lugar. Alfaiates desenham círculos na superfície, que a luz projecta na parede. Fotografo o telhado. Há garrafas de água abandonadas e uma peça de roupa submersa no tanque. O lugar é isolado e ninguém passa enquanto fotografo. A passagem do tempo é visível nas paredes rachadas e nos buracos do tecto. Há água corrente. Fico na dúvida se ainda é utilizado quando não está submerso.
















