Volto a encontrar um lavadouro de água cristalina, reflectindo o azul dos azulejos, com um telhado que confirma a sua recuperação. Fica mesmo à berma da estrada, por onde passam poucos carros. Ao fundo, ouve-se o som do sino da igreja. O chão molhado indica que alguém terá lavado roupa há pouco tempo. Um placar com anúncios sugere a possibilidade de pedir autorização para afixar algo relacionado com o projecto.
Uma hera envolve o lavadouro desde o telhado, e, nas paredes do campo que se estende por trás — onde também pastam cavalos — descubro uma planta que, recorrendo ao telemóvel, identifiquei como Umbigo-de-vénus. Parece brilhar. Dedicar tempo a fotografar detalhes é um acto de amor. Num balcão, um pai brinca com a filha, formando bolas de sabão. Noutro, peças de um material que lembra papel de alumínio secam, brilhando ao sol.
Ao regressar a casa por caminhos agora familiares, passo por lugares onde se encontram lavadouros que já fotografei: são âncoras afectivas de memórias que vou construindo no meu mapa.













